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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Vida de Gente Grande


 Algumas pessoas se sentem aliviadas com o final de etapas, outras se desesperam. A verdade é que o novo tem o poder de nos deixar confuso quanto ao que é certo ou não. Sem dúvida alguma, uma das passagens mais difíceis é a de “Aluno – Profissional”.
Com o fim da faculdade surgem algumas questões básicas, independente de qual for seu curso: “O que vou fazer da vida agora? Como conseguir o primeiro emprego? Vou conseguir? Será que eu fiz o curso certo? Eu estou realmente preparado? Eu não sei nada!”. A verdade é que recebemos a formação plenamente técnica, não somos formados para resolvermos nossas vidas e sim para resolver alguns estudos de casos.
Com a criação de diversas faculdades particulares pelo país, a questão de acesso a universidade está sendo resolvida. Porém tudo tem seu preço, e a bola da vez é: o mercado está ficando saturado de profissionais qualificados!
Falarei sobre o caso da enfermagem, por se tratar da minha área e por eu estar vivenciando esse impacto supracitado. Quando entrei na faculdade, há cinco anos, era raro o enfermeiro que formava e ficava desempregado! Pelo contrário, era comum conseguir até dois empregos pelo simples fato de ter poucos profissionais disponíveis no mercado, a regra básica da oferta e procura. Em pouco tempo a realidade mudou. O que vemos hoje são milhares de profissionais sendo lançados ao mercado, de seis em seis meses… Além, temos as faculdades de enfermagem à distância e sem a aprovação do MEC…
Sabe aquela velha história de “o mercado vai selecionar os melhores”? Pode até ser verdade, mas já não está funcionando mais. A realidade é dura e bem diferente. Para conseguir um emprego, essa é uma realidade generalizada, você precisa “ter QI”. Se pensar que basta ter um quociente de inteligência altíssimo, acumulando madrugadas de estudo, festas perdidas para poder melhor se preparar  para as provas, para fazer os trabalhos bem feitos e ter tirado o máximo que pode da faculdade, você é ingênuo. O QI aqui é outro, é o “quem indica”! Você precisa ser filho de alguém, conhecer alguém, ou até mesmo ser amigo de alguém influente.
Durante seu tempo na faculdade, tudo o que você é se reduz às notas. Seu senso crítico, sua capacidade de resolver problemas e de ser proativo é simplesmente ignorada. O pior é que após a graduação, ninguém quer saber se você foi um bom aluno ou uma peste desmiolada! Ou você tem o maior QI possível ou você precisa de outro monstro chamado “experiência”. Desta forma, sua capacidade intelectual é levada a zero.  Enfim, caímos no ciclo tão clichê dentro da lógica atual de mercado: para se ter experiência é necessário um emprego… Para conseguir meu primeiro emprego é necessário experiência… Ou o bendito QI.
É ai que começa o problema! Se o seu estado psicológico não estiver preparado para esta etapa, vocêcom toda certeza vai pensar que o problema está em você! “É sua culpa!” “Você deveria ter estudado mais, batalhado mais, ter feito mais estágios voluntários.” Mas isso não passa de neura pós-faculdade… a maioria das pessoas passa por isso.
É preciso correr atrás, fazer o máximo de cursos, buscar uma pós que te agrade e investir naquilo que pode te dar lucro sem precisar de mais ninguém, essa é a receita básica. E o grande ideal hoje em dia, não só na área de Enfermagem é o concurso público! O concurso público é tido como a melhor – e muitas vezes única – saída. É nele que podemos mostrar nosso nível intelectual, sem precisar da “forcinha” de outrem. Contudo, a própria estrutura dos concursos e do Estado possui suas mazelas, que não irei falar agora.
Enquanto continuarem a abrir faculdades pelo país afora, sem ter a preocupação com “onde vamos colocar esse pessoal”, continuaremos nessa luta eterna por um lugar ao sol!
 Fonte: Vox et Opinio por Samara Lhorrainy